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As cinco competências da redação do ENEM, uma por uma
Entre todas as partes da prova, a redação é a que tem o melhor retorno por hora de estudo. O motivo é simples: ela é a única em que os critérios de correção são publicados. Você não precisa adivinhar o que o avaliador procura — está escrito. Ainda assim, a maior parte dos alunos treina redação escrevendo texto atrás de texto sem nunca ler a grade que os corrige.
São cinco competências, cada uma valendo de 0 a 200 pontos, em faixas de 40 em 40. A nota final é a soma, de 0 a 1000. Vale entender uma por uma — e, principalmente, o que costuma travar cada uma delas.
Competência 1 — domínio da norma culta
Avalia a escrita formal: ortografia, concordância, regência, pontuação, colocação. Não é a competência mais difícil de pontuar bem, mas é a que mais sangra ponto por desatenção.
O que trava: erros pequenos e repetidos. Vírgula separando sujeito de verbo, crase em lugar errado, concordância em frases longas. O remédio não é decorar gramática inteira — é descobrir quais são os seus três erros recorrentes e caçá-los na releitura. Quase todo mundo tem poucos erros, cometidos muitas vezes.
Competência 2 — compreender o tema e aplicar repertório
Avalia se você entendeu a proposta, se não fugiu do tema e se usou conhecimento de outras áreas de forma produtiva. Repertório aqui não é enfeite: ele precisa sustentar o argumento.
O que trava: repertório decorativo. Citar um filósofo na introdução e nunca mais usar aquilo não constrói argumento. Um bom repertório aparece quando você consegue explicar, em uma frase, por que ele explica o problema do tema. E tangenciar o tema — falar de "educação" quando a proposta é sobre um recorte específico de educação — é a forma mais cara de perder ponto aqui.
Competência 3 — seleção e organização dos argumentos
Avalia o projeto de texto: se há uma tese clara, se os parágrafos a defendem e se existe progressão em vez de repetição.
O que trava: texto que parece completo mas anda em círculos. Dois parágrafos de desenvolvimento dizendo a mesma coisa com palavras diferentes pontuam como um. Antes de escrever, defina em uma frase a sua tese e, em uma frase cada, os dois argumentos. Se os dois argumentos podem ser resumidos pela mesma frase, você tem um só.
Competência 4 — coesão
Avalia o encadeamento: conectivos, referências, articulação entre parágrafos e dentro deles. É a competência mais mecânica das cinco, e por isso a mais treinável.
O que trava: conectivo usado pelo som e não pelo sentido — um "portanto" onde não há conclusão, um "todavia" onde não há oposição. Repetir "além disso" em todo parágrafo também pesa. Ter um pequeno repertório de conectivos por função (adição, oposição, causa, conclusão) e usar a função certa resolve a maior parte do problema.
Competência 5 — proposta de intervenção
Avalia a solução para o problema discutido, respeitando os direitos humanos. É a competência com mais zeros e notas baixas, e a mais fácil de blindar, porque ela tem uma estrutura conhecida: agente, ação, meio, finalidade e detalhamento.
O que trava: proposta genérica. "O governo deve investir em educação" não diz quem faz, como, por qual meio e para quê. A versão que pontua nomeia o agente, descreve a ação, indica o meio pelo qual ela acontece, aponta a finalidade e detalha um dos elementos. Também é aqui que mora o risco de ferir os direitos humanos, o que zera a competência — e, dependendo do caso, afeta o texto inteiro.
Como treinar com isso
- Corrija pela grade, não pela impressão. Depois de escrever, dê a si mesmo uma nota de 0 a 200 em cada competência e justifique. Você vai descobrir que sua nota não é baixa "em geral" — ela é baixa em uma ou duas competências específicas.
- Ataque a competência mais fraca primeiro. Subir de 80 para 160 na competência 5 vale mais do que subir de 160 para 180 na competência 1, e custa menos.
- Reescreva em vez de só escrever mais. Pegar um texto seu já corrigido e refazer o parágrafo fraco ensina mais do que produzir um texto novo do zero.
- Uma redação por semana, corrigida, vence três por semana sem correção. O ganho está no retorno, não no volume.
A redação é a parte da prova em que o critério é público e o treino tem efeito rápido. Ler a grade e estudar por ela é, de longe, o caminho mais curto para a nota subir.
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