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Linguagens, Códigos e suas Tecnologias

Questão 33 do ENEM 2025 resolvida

Conto “O perguntar e o responder”, de Carlos Drummond de Andrade: Lavínia troca cinco espelhos até que o último, antes de ser interrogado, pergunta se há no Brasil espelho mais belo do que ele.

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Questão 33 do ENEM 2025, aplicação de Belém, como saiu no caderno de prova
ENEM 2025 · aplicação de Belém · caderno 1 · azul · questão 33
Ler o enunciado em texto

O perguntar e o responder

O espelho recusou-se a responder a Lavínia que ela é a mais bela mulher do Brasil. Aliás, não respondeu nada. Era um espelho muito silencioso.

Lavínia retirou-o da parede e colocou outro, que emitia sons ininteligíveis, e foi também substituído.

O terceiro espelho já fazia uso moderado da palavra, porém não dizia coisa com coisa.

Um quarto espelho chegou a pronunciar nitidamente esta frase: “Vou pensar”. Ficou pensando a semana inteira, sem chegar à conclusão.

Lavínia apelou para um quinto espelho, e este, antes que a vaidosa senhora fizesse a interrogação aflita, perguntou-lhe:

— Mulher, haverá no Brasil espelho mais belo do que eu?

ANDRADE, C. D. de. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1985. O recurso usado para construir o sentido desse texto e marcar sua progressão temática é a

A simplificação do gênero conto.
B inversão nas ações dos personagens.
C referência à exuberância da protagonista.
D intertextualidade com uma história infantil.
E presença de um narrador em terceira pessoa.

Gabarito oficial

D

Caderno de referência do INEP.

O que a questão cobra

Intertextualidade: reconhecer o texto que serve de base ao conto e sustenta sua progressão.

Resolução passo a passo

  1. Identifique a cena. Uma mulher vaidosa diante de um espelho, querendo ouvir que é “a mais bela mulher do Brasil”. Todo leitor reconhece a rainha de Branca de Neve.
  2. Note como o conto conta com esse reconhecimento: ele não explica nada. Basta o espelho e a pergunta implícita — o “espelho, espelho meu” está subentendido.
  3. Acompanhe a progressão: espelho mudo, espelho ininteligível, espelho confuso, espelho que “vai pensar” a semana inteira. Cada um frustra um pouco mais a expectativa criada pelo conto de fadas.
  4. E o quinto inverte tudo: antes de ser perguntado, ele pergunta se há espelho mais belo. A piada só funciona porque existe o modelo original — a progressão inteira se apoia na intertextualidade com uma história infantil, alternativa D.

Alternativa por alternativa

  • A

    simplificação do gênero conto.

    Errada. O texto é curto, mas plenamente um conto, com personagem, progressão e desfecho. Não há simplificação do gênero — a brevidade é característica dele.

  • B

    inversão nas ações dos personagens.

    Errada. A inversão final é consequência do jogo intertextual: ela só surpreende porque sabemos como a cena deveria terminar. E ocorre só no último parágrafo, não ao longo do texto.

  • C

    referência à exuberância da protagonista.

    Errada. A beleza de Lavínia nunca é descrita nem confirmada. Ao contrário: nenhum espelho responde, e o último desvia o assunto para si.

  • D

    intertextualidade com uma história infantil.

    Correta. O conto retoma a cena da rainha diante do espelho em Branca de Neve e faz o leitor esperar a resposta conhecida. É essa expectativa, frustrada cinco vezes e invertida no fim, que constrói o sentido e a progressão.

  • E

    presença de um narrador em terceira pessoa.

    Errada. O narrador de terceira pessoa é apenas o modo de contar, comum a inúmeros textos. Ele não é responsável pelo efeito de sentido nem pela progressão.

Resoluções dos professores do Grupo HPLUS.